domingo, 10 de maio de 2015

ESSES MOÇOS (Brasil) - MOSTRA + 60




Direção do cineasta baiano  José Araripe Jr., o filme  Esses Moços (Brasil/ 2004) é um drama melancólico com uma carga de humanidade, aborda temas sociais como infância abandonada, pobreza, a velhice senil e suas dificuldades, a violência social e marginalidade.
Uma verdadeira viagem cinematográfica por uma Salvador que não aparece nos cartões postais, com uma fotografia ímpar, um passeio pela Cidade Baixa, subúrbio ferroviário, a Baia de Todos os Santos, expondo também o abandono desta parte da cidade.
As irmãs Darlene (Chaiendi Santos) e Daiane (Flaviana da Silva) vivem e perambulam pelas ruas de Salvador, sujeitas aos perigos da marginalidade urbana. Darlene, a mais velha e cheia de amargor, tem um espírito de proteção pela sua irmã mais nova Darlene, e vivem a pedir esmola e fazer suas malandragens pelas ruas de Salvador.
Um dia elas encontram  Diomedes (Inaldo Santana), um velho desmemoriado que se faz de cego, e prefere viver pelas ruas do que morar no asilo.
Eles criam um elo de amizade familiar, a pequena e doce Daiane se apega tanto a Diomedes que o chama de avô. O velho caduco Diomedes conduz as crianças para o seu mundo com afeto e solidariedade, e elas tentam preservá-lo dos perigos da rua. Dois mundos extremos e parecidos ao mesmo tempo, inocência e senilidade, sonhos e surrealidade que se cruzam. Perceptível quando a criança exclama que a casa que Diomedes  mora é enorme e linda, na realidade é o Asilo de Mendicidade da Bahia. E quando o velho rejeita o retorno ao asilo e grita:  Eu sou um homem livre!
Um drama que nos leva a refletir sobre a violência e injustiça social, a importância da família na formação do ser humano, a velhice com suas debilidades e oportunidades e escolhas de vida.
Nos créditos finais, a linda música de Lupicínio Rodrigues  jaz jus ao título do filme.

sábado, 9 de maio de 2015

CHUVAS DE VERÃO (Brasil) - MOSTRA + 60


O filme Chuvas de Verão (Brasil/1978), direção do cineasta Carlos Diegues, é um drama ambientado no subúrbio carioca e mostra os acontecimentos nesta comunidade durante cinco dias.
Anos 70, o viúvo Afonso (Jofre Soares) se aposenta  e as comemorações começam com os colegas de trabalho e continuam na comunidade em que mora, os vizinhos fazem uma festa com direito a faixa escrito “Viva o Ócio”. Feliz e realizado com a nova situação, a aposentadoria como um ciclo de vida que termina e início de outro estilo de viver como  uma nova existência, assim se sente Afonso, a começar pelo pijama que passa a usar.
Em cinco dias Afonso conhecerá e vivenciará fatos que durante uma vida inteira lhe foi negado, como proteger em sua casa um foragido da polícia codinome Lacraia, namorado de sua empregada Lurdinha (Cristina Aché); conviver com seus vizinhos como o bisbilhoteiro Juraci (Paulo Cezar Pereio); os problemas familiares de sua filha (Marieta Severo) e seu genro Dr. Geraldinho (Daniel Filho) e se apaixonar pela sua vizinha D. Isaura (Miriam Pires).
Filme revolucionário para a época inclusive pela cena de nudez e amor entre os personagens de Jofre Soares e Miriam Pires, e temas tabus desta época como nudez no cinema, o amor e sexo na terceira idade. Por sinal, a cena mais bonita do filme, puro lirismo, realização e felicidade.
A trilha sonora tem músicas dos anos 70 de Herivelto Martins, Paulinho da Viola, Roberto e Erasmo Carlos.
Este drama fala de solidão na velhice, amizade e companheirismo. Leva à reflexão sobre o uso do tempo após uma vida inteira dedicada ao trabalho. E a questão: existe idade para o amor? Recomeçar sempre é possível e o amor tem o poder de rejuvenescer as pessoas.
Ganhador do Troféu Candango de Melhor Montagem, Melhor Atriz Coadjuvante (Miriam Pires), Melhor Ator Coadjuvante (Paulo César Pereio) e Melhor Cenografia no Festival de Brasília 1978.

“A vida não é como as águas do rio que passam sem descanso, nem como o sol que vai e volta sempre. A vida é uma chuva de verão súbita e passageira que se evapora ao cair”.


sexta-feira, 8 de maio de 2015

O OUTRO LADO DA RUA (Brasil) - MOSTRA + 60



Direção de Marcos Bernstein, o filme  O Outro Lado da Rua (Brasil /2004)  é um drama que marca o encontro de dois grandes atores no cinema, Fernanda Montenegro e Raul Cortez.
Passado no bairro de Copacabana, conhecemos Regina (Fernanda Montenegro), uma senhora aposentada de 65 anos, uma mulher de humor ácido e de mal com a vida, que vive isolada de amigos e não mantém um bom relacionamento com seu filho e sua única companhia é uma cadela chamada Betina. Regina (codinome Branca de Neve) é informante da Polícia carioca através de um programa da Polícia com pessoas aposentadas, no intuito de denunciar a exploração sexual de menores na cidade e outros delitos. Assim como Leonor (Laura Cardoso), que Regina conhece em Copacabana e também ajuda a Polícia.
Regina passa boa parte do seu tempo a vigiar os prédios vizinhos com um binóculo, e certa noite ela testemunha um homem administrando uma injeção letal em uma mulher, e imediatamente avisa a polícia. Ao saber que este caso foi considerado morte natural, seu autor é um conceituado morador do bairro chamado Camargo (Raul Cortez), cuja esposa morreu de câncer. Inconformada,  Regina passa a perseguir Camargo e termina se envolvendo amorosamente com ele.
Drama com história interessante e boa fotografia, com dois atores com ótimas  performances, mas falta uma certa  interação da investigação com o público. 
Fala de solidão como um fardo e um desamparo nesta fase da vida, da importância da família para suprir este vazio, de sexualidade (o que nesta época era um verdadeiro tabu). Observamos também o preconceito, inclusive da própria Regina, que não aceita o envelhecer e olha com desdém para os idosos que utilizam o tempo livre se divertindo nas praças do bairro.
Ganhador do Grande Prêmio Cinema Brasil 2004 de Melhor Atriz para Fernanda Montenegro e Melhor Atriz Coadjuvante para Laura Cardoso.

quinta-feira, 7 de maio de 2015

COPACABANA (Brasil) - MOSTRA + 60



Copacabana (Brasil/ 2001), direção e roteiro de Carla Camurati, uma comédia dramática emocionante e poética, lúdica com humor refinado.
Prestes a completar 90 anos, o fotógrafo Alberto (Marco Nanini) entra em crise existencial e filosofa sobre a vida e a velhice. Enquanto seus amigos de longas décadas preparam uma festa surpresa, Alberto relembra fatos marcantes de uma vida inteira passada no bairro de Copacabana, seus amigos, amores e paixões, os grandes bailes no Copacabana Palace. Uma verdadeira viagem no túnel do tempo tendo como cenário os anos dourados deste bairro cantado em prosa e verso por grandes escritores e compositores.
Com uma fotografia ímpar, um colorido alegre que ganha um ar nostálgico em preto e branco no retorno ao passado, trilha sonora bem interessante, um rap gostoso misturado a músicas antigas, no contexto de um roteiro coerente ao tema.
O elenco formado por atores idosos, como Laura Cardoso, Miriam Pires, Rogéria, Joana Fomm, Walderez de Barros, Tonico Pereira, Renata Fronze, Ida Gomes, Ilka Soares e outros. Marco Nanini no papel do idoso Alberto, maquiagem muito bem feita, sua voz marcante narrando suas lembranças de outrora, uma interpretação inesquecível.
O filme ganhou vários prêmios, como de Melhor Cenografia e Melhor Ator (Marco Nanini) no Festival de Cinema Brasileiro de Miami 2002 e Melhor Atriz Coadjuvante (Laura Cardoso) no Grande Premio BR do Cinema Brasileiro 2002.
Uma reflexão sobre o envelhecer com dignidade, a alegria de ter vivido momentos que ficarão gravados na memória para sempre, lembranças compartilhadas com os amigos, a maior riqueza de uma vida. Fala de amizade, amores e desamores, desejos e medo da morte.
Um verdadeiro painel da vida de Copacabana e do País e um mergulho na história de vida de uma pessoa que vive a velhice sem pudor, com prazer e intensidade onde experiências passadas são seu maior patrimônio atual. “A sombra negra da saudade é de um passado cor de rosa”.
"Há duas datas, a do nascimento e da morte, e no meio uma infinidade de acontecimentos, dores, problemas, amores e emoções, almas que se esgarçam"...eis o ensinamento que Alberto deixa para todos nós.

DEPOIS DAQUELE BAILE (Brasil) - MOSTRA + 60



Direção de Roberto Bomtempo,  o filme Depois daquele Baile (Brasil/ 2005) é uma comédia romântica envolvente, que fala de amor, amizade e cumplicidade, de viver o outono da vida com alegria e prazer.
Baseado na peça teatral homônima de Rogério Falabella, mostra o cotidiano simples da vida em Belo Horizonte, mesa farta de comida mineira como tutu de feijão, o famoso pão de queijo e outros quitutes de dar água na boca.
A alegre e sedutora viúva Dóris (Irene Ravache) tem uma pequena pensão para ajudar nas suas finanças mas que é algo prazeroso, e todas as sextas-feira promove um irreverente sarau. Conta com a ajuda de sua sobrinha Beth (Ingrid Guimarães) nos afazeres domésticos.
Os amigos Freitas (Lima Duarte) e Otávio (Marcos Caruso) são frequentadores assíduos da pensão de Dóris e almejam conquistar o coração desta fogosa viúva. Dois homens com características e formas de vivenciar a vida bem diferente. Freitas é um galanteador mulherengo, sempre bem humorado, que vive o presente com toda intensidade e não valoriza o passado. Já Otávio é uma homem tímido, reservado, saudosista, e acha que é no passado que pode encontrar as melhores coisas da vida. Dois homens disputando o amor de uma mulher com amizade e companheirismo, de forma digna e generosa.
Boa fotografia, roteiro focado em uma trama simples e tocante, com clima de romantismo e sedução. Um triângulo amoroso com atores de primeira grandeza, Irene Ravache, Marcos Caruso e Lima Duarte  demonstram uma cumplicidade impressionante. Ganhador Troféu Candango 2005 na categoria Melhor Filme e Melhor Roteiro no Festival de Cinema Cuiabá 2006.
Este filme tem como tema central a amizade e a importância de construir relações, que a velhice pode ser desfrutada de forma prazerosa, intensa e com liberdade, e que é possível viver novas experiências e estar aberto a novos sentimentos em todas as fases da vida.
Quando a sobrinha Beth fala com desdém para sua tia Dóris sobre seus pretendentes...um aposentado e um quebrado...e Dóris sabiamente responde: É tudo uma questão de tempero! Este diálogo exprime o espírito deste filme que leva a platéia a um sorriso no rosto e a guardar na memória bons ensinamentos.


quarta-feira, 6 de maio de 2015

NOITE SEM FIM


O filme Noite Sem Fim (EUA / Run All Night, no original) é mais uma parceria do diretor Jaume Collet Serra com o ator Liam Neeson. Mistura suspense com muita ação e momentos dramáticos, mas sem apelo exagerado.
Jimmy Conlon (Liam Neeson) é um antigo matador da Máfia, embrutecido e envelhecido pelo álcool e por seu passado hostil. Ele sempre teve respeito e lealdade  a seu chefe, Shaw Maguire (Ed Harris), e apesar de não trabalhar mais nesta área, conserva uma amizade fiel com seu ex-chefe e amigo.
Jimmy Conlon tem um filho, Michael Conlon (Joel Kinnaman), um comportado motorista de limusine que o rejeita pelo seu passado de matador. Ao levar dois traficantes à casa de Danny Maguire (Boyd Holbrook), filho do chefão Shaw Maguire, Michael fica em perigo. Danny persegue Michael para matá-lo, e é nesta hora que Jimmy Conlon entra em ação, para defender seu filho a todo custo. Para isto ele é capaz de tudo, até de ficar contra seu antigo chefe e amigo, numa guerra sem fim, com muita violência, mortes e drama.
Com esta boa trama cheia de suspense e ação, com ótima direção, diálogos de humor, com muita tensão e emoção. Apesar dos clichês já conhecidos do público, com muitos tiros e violência física, tem cenas de tirar o fôlego, com  perseguições no meio da noite. A trilha sonora boa e coerente,  aumenta a tensão do filme, dando um ritmo frenético.
Como sempre Liam Neeson tem uma atuação exemplar neste personagem amargurado por um passado humilhante e rejeitado por sua família. E forma com o ator  Ed Harris uma parceria bacana, com muito carisma e personalidade.
Um filme que prende o espectador do início ao fim, para quem gosta deste estilo, com certeza vai se empolgar.

sexta-feira, 1 de maio de 2015

NÃO OLHE PARA TRÁS


O filme Não Olhe Para Trás ( EUA), direção de Dan Fogelman, é uma comédia dramática com história tocante, bom roteiro e direção, trilha sonora legal, centrado em um personagem carismático.
Danny Collins (Al Pacino) é um super astro idoso insatisfeito com sua vida, usuário de drogas e álcool, que há mais de 30 anos faz sucesso com as mesmas músicas do passado, sequer consegue compor uma nova canção.
No dia do seu aniversário, seu produtor e amigo Frank Grubman (Christopher Plummer) lhe entrega de presente uma carta que John Lennon escreveu para ele no início de sua carreira, contestando uma entrevista em que Danny dizia que sua felicidade dependia do dinheiro que ganhasse.
Danny passa uma noite inteira digerindo o que seu ídolo escreveu, e decide largar a turnê e correr atrás do que deixou para trás, o filho Tom ( Bobby Cannavale) que nunca conheceu, e este episódio poderá mudar o rumo de sua vida e o verdadeiro sentido da felicidade.
Com diálogos coerentes e irônicos e uma trilha sonora muito legal, as músicas de John Lennon embalando o filme, sem exageros nos clichês, este filme envolve a platéia.
Os atores Al Pacino e Annette Bening estão excelentes nos papeis escolhidos, em especial Al Pacino como o antipático, egocêntrico e cafona astro Danny, que a certa altura da vida tenta ser uma pessoa melhor, abandonando seus vícios e tentando reatar com seu filho Tom. Sua neta Sophie (Katarina Cas) é uma criança super fofa, alegre, que fascina o espectador.
Um personagem que busca redenção tentando mudar seus valores, mas na real, a maneira como ele persegue esta ideia, comprando e doando bens para as pessoas é estranho. Afinal, o dinheiro redime os erros de uma vida?