quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

COMO MATAR MEU CHEFE 2



Direção de Sean Anders, a comédia Como Matar Meu Chefe 2 (EUA) com o mesmo trio de atores do primeiro filme com o mesmo título (2011), aproveita o gancho do anterior que teve um sucesso inesperado e que foi realmente ótimo, uma comédia com clichês e que leva o público às gargalhadas.
Desta vez os atrapalhados amigos Nick Hendricks (Jason Bateman), Dale Arbus (Charlie Day) e Kurt Buckman (Jason Sudeikis), após serem vítimas de chefes inescrupulosos  que os humilhavam, decidem montar um negócio e ser seus próprios chefes. Inventam um produto revolucionário, um chuveiro com sabão e massagem e o milionário Bert Hanson (Christoph Waltz) decide apostar neles, para depois os ludibriar e passar a perna nos pobres coitados. Estes então, decidem sequestrar seu filho mimado Rex Hanson (Chris Pine), e assim receber o valor do resgate.
Em meio a trapalhadas criminosas e confusões, piadas repetitivas, chulas e de baixo calão, algumas racistas, o filme perde a sutileza e torna-se insosso, um desperdício para este trio de artistas tão competentes. No elenco constam personagens que foram eficazes no primeiro filme, como Jennifer Aniston como a pervertida Dra. Julia Harris, Jamie Fox como o orientador das malandragens e Kevin Spacey que está na prisão mas continua dando ordens aos incompetentes trapalhões, mal aproveitados nesta nova versão.
Menos divertido que o anterior, com trama e roteiro meio perdido, a inclusão dos novos personagens na figura do investidor Bert Hanson e seu filho Rex Hanson caem muito bem e dão um ânimo nesta comédia.
As cenas finais com o improviso dos atores principais é interessante. Enfim, uma comédia para uma tarde sem muitos risos, que em alguns momentos diverte, mas é inevitável a comparação com o primeiro filme original e engraçado, mas neste falta justamente estes elementos. 
Para o público que adora comédia pastelão, deve gostar. Afinal, quem em algum momento de sua vida não teve vontade de fazer seu chefe desaparecer?...

domingo, 7 de dezembro de 2014

JOGOS VORAZES: A ESPERANÇA- PARTE 1



Mais um filme desta franquia tão conhecida do público, Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 1 (EUA), direção de Francis Lawrence,  é um blockbuster eficiente que alcança o público jovem.
Com uma heroína carismática que luta pelo ideal democrático, filme de ficção científica com um toque político, enfoca mais o lado psicológico e ideológico dos personagens e diminui as cenas de ação.
Após o massacre do governo do Presidente Snow (Donald Sutherland), o Distrito 13 escolhe como líder Katniss Everdeen (Jennifer Lawrence), tornando-a o tordo na luta contra este governo autoritário, para acabar com o domínio da capital sobre os distritos, um interessante assunto político. Katniss aceita a proposta, inclusive porque seu namorado Peeta (Josh Hutcherson) foi preso e está sendo usado para ludibriar os que conseguiram sobreviver, através de propaganda enganosa. Katniss será a líder da revolução desde que Peeta e seus companheiros sejam anistiados após o resgate.
A batalha é feita através da propaganda, utilizando e expondo o produto de forma tendenciosa, uma tentativa de manipular as pessoas e o Poder. Isto leva o público à reflexão, um diferencial das séries anteriores.
Filme tenso mas que diverte, com figurino, reconstrução de época  e trilha sonora de qualidade. A fotografia em tons escuros, a demonstrar melancolia e angústia dos personagens, uma fase sombria que eles estão vivenciando. Com duração de 2 horas e meia, poderia diminuir o tempo, em função da lentidão e pouca ação. O interesse é expor o lado psicológico dos personagens, como a heroína Katniss, uma jovem insegura e emotiva. E a competente atriz Jennifer Lawrence no papel da protagonista Katniss Everdeen,  entra na briga política como o tordo da revolução, trazendo emoção, beleza e carisma ao personagem.
Os atores Liam Hemsworth (Gale), Julianne Moore (presidente Alma Coin) e Philip Seymour Hoffman (Plutarch) com boas atuações,  mas pouco brilho. Este foi o último filme de Philip S. Hoffman.
Enfim, menos impacto e mais reflexão. E estas questões podem ser trazidas para os dias atuais, porque não?
¨Se nós queimarmos, você queimará conosco¨, lema da heroína Katniss Everdeen.




quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

DE VOLTA AO JOGO



De Volta ao Jogo (EUA), direção da dupla David Leitch e Chad Stahelski, um filme de ação e suspense com um diferencial, com ar nostálgico e emotivo, ao mesmo tempo descontraído e momentos até divertidos.
Roteiro enxuto e boa fotografia, trilha sonora condizente com o filme, apesar de clichês já conhecidos, cenas de ação e violência bem feitas sem chocar.
No papel principal o ator Keanu Reeves é o tipo anti-herói, não tem físico de lutador mas um visual bacana, e seu rosto frio e direto na câmera condiz com um desempenho à altura;  vai de forma sagaz e ágil  direto na briga, e sem rodeios  até os finalmentes, sem pena e dó de seus adversários.
Na história temos John Wich ( Keanu Reeves), um antigo e respeitado matador da máfia russa, um verdadeiro mito nesta área, que há cinco anos se aposentou desta profissão por amor. No momento sofre a dor da perda da esposa e tem como única lembrança uma cachorrinha que ela o presenteou,  símbolo de um saudoso amor. Quando Josef Tarosov (Alfie Allen), o filho do chefão da máfia  russa rouba seu carro e mata sua cachorrinha, vem à tona o instinto vingativo de John Wich, e na dor do luto, o antigo assassino parte disposto a tudo, para cima de toda a máfia 
Viggo Tarasov ( Michael Nyqvist), o chefão da máfia russa tenta interceder em favor do seu filho, mas John wich não está para diálogo, só destruição.
Filme de ação e violência com lado satírico, como na cena que o policial demonstra conivência com o assassino e os pagamentos são todos feitos com uma moeda específica do legendário John Wich. Apesar de muito sangue nas cenas de ação, é exatamente isto que o diretor deseja mostrar, sem chocar o público.
Como uma história romântica pode mudar o rumo de uma vida, e o que acontece quando alguém tira a última esperança desta pessoa, ressurgindo o lado frio e cruel do personagem, eis uma história interessante.
Com ação do início ao fim, este filme é uma grande surpresa para até quem não curte este estilo, e boa diversão!!

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

DEBI & LÓIDE 2




 Depois de 20 anos, esta dupla implacável Debi & Lóide 2 ( EUA) retorna às telas, direção dos irmãos Bobby e Peter Farrelly. Uma comédia que cumpre o que promete, uma mera diversão e consegue captar a essência do primeiro filme.
Os atores Jim Carrey e Jeff Daniels como Lloyde Christmas vulgo Lóide e Harry Dunne vulgo Debi, continuam impagáveis e inconvenientes, e  apesar da idade têm o mesmo vigor cômico, nos remetendo há 20 anos atrás, quando conhecemos pela primeira vez esta dupla.  Incrível imaginar depois de tantos papeis dramáticos, que estes atores consigam a mesma química e fiquem tão à vontade no filme.
Cenas hilárias e grotescas que distraem e constrangem o público, piadas de baixo calão e politicamente incorretas, apelando para as caretas já conhecidas de Jim Carrey, diálogos bobos e simplório, somente com a intenção de levar o público às gargalhadas. Conseguem o intento, mas perde um pouco o ritmo na segunda parte da história, se é que existe roteiro, que é sem pé nem cabeça, mas este é exatamente o que interessa.
Depois de tantos anos, Debi descobre que tem uma filha de uma colega (Kathleen Turner) dos tempos da escola e dos amassos, como ele mesmo diz, e os dois amigos vão em busca desta filha (Rachel Melvin), pois Debi precisa realizar um transplante de rim, eis a sinopse desta comédia.
Será que vale tudo em prol de uma boa piada? Pelo menos para Debi e Loide sim. Então quem quiser entrar no cinema para rir de besteirol (e não espere piadas inteligentes) e sentir como se estivesse em um circo, esta é a essência  desta comédia. Top do Besteirol e tem público para isso!!




quinta-feira, 27 de novembro de 2014

POR UMA MULHER



Direção de Diane Kurys,  o filme Por Uma Mulher (França) é um drama delicado, sensível, que através de flashbacks vai sugerindo e expondo uma história familiar e o drama de uma paixão proibida.
Com a morte de sua mãe, Anne (Sylvie Testud) encontra fotos e cartas antigas no álbum de familia, e entre elas, a foto do seu tio Jean (Nicolas Duvauchelle), irmão de seu pai Michel (Benoit Magimel), e a partir daí paira uma dúvida sobre o passado de sua mãe, que Anne precisa descobrir para entender melhor sua identidade de filha.
Anne resolve percorrer este caminho obscuro da história de seus pais, quando eles viviam na cidade de Lyon em 1945, ambos foragidos do regime nazista. Um certo dia Jean, o irmão mais novo de Michel que todos pensavam que estava morto, aparece na vida deles. Apesar de ser muito bem acolhido pelo seu irmão, paira no ar um certo mistério sobre sua real identidade, seria ele um espião ou um traidor? E a proximidade de Jean com Lena (Mélanie Thierry) a esposa de Michel, cria um vínculo de amizade entre eles que terminam se apaixonando.
Com este triângulo amoroso formado, com clichês previsíveis, o drama se desenrola. E é interessante observar o lado político, as reuniões do partido comunista na qual Michel é atuante, apesar do foco principal ser o drama familiar.
Deveria Lena ceder a emoção por uma paixão inconsequente ou deixar a razão falar mais alto? Eis o dilema desta mulher que tem enorme gratidão por um marido que lhe salvou das garras do nazismo.
Enquanto desvenda os segredos da família, Anne vai conhecendo melhor sua mãe quando era jovem e suas dificuldades e frustrações como mulher e esposa, e entendendo melhor suas atitudes como mãe.
Com bom cenário, boa fotografia e trilha sonora adequada, além de belos atores, apesar de faltar mais expressividade e emoção nas cenas. Enfim, um filme bom para uma tarde agradável, nada mais que isto.

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

UMA PROMESSA


Produção França/Bélgica, o filme Uma Promessa, direção e roteiro de Patrice Leconte é uma adaptação do conto ¨Carta de uma Desconhecida¨do escritor austríaco Stefen Zweig, por sinal primeiro filme deste cineasta no idioma inglês.
É um drama com uma história de amor passada na Alemanha anos 1920, e conta a história do jovem ambicioso Friedrich Zeith ( Richard Madden), que vai trabalhar em importante siderúrgica, e pela sua competência é promovido pelo seu patrão Karl Hoffmeister ( Alan Rickman) ao posto de secretário particular. Ao ser convidado para morar na mansão do patrão, Friedrich passa a conviver com sua jovem e bonita esposa Lotte (Rebecca Hall) e seu filho Otto. A proximidade faz com que Friedrich e Lotte se apaixonem apesar de terem noção da impossibilidade deste amor.
Ao ser transferido para o México para chefiar uma operação da empresa, os dois enamorados fazem uma promessa, de um dia se reencontrarem. Neste ínterim explode a 2a. Guerra Mundial e a separação e dificuldade de comunicação aumenta ainda mais para Friedrich e Lotte.
Será que o verdadeiro amor  é capaz de superar a distância e o tempo?
Filme correto com uma linda história de amor, mas que falta emoção na trama, tudo muito linear, sem altos e baixos, uma apatia em todos os sentidos. A primeira parte tem um desenrolar crescente mas perde o ritmo justamente quando eles se descobrem apaixonados e quando Friedrich é transferido para o México.
A platéia não consegue se envolver com o drama e seus personagens. Afinal, a paixão é algo que desnorteia os envolvidos e até quem assiste, que em geral torce por este sentimento tão maravilhoso que é o amor.
Enfim, um lindo romance que assistimos com atenção, mas falta brilho e empolgação no olhar.

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

UMA VIAGEM EXTRAORDINÁRIA



Direção do cineasta  Jean-Pierre Jeunet ( O Fabuloso Destino de Amélie Poulain), o filme Uma Viagem Extraordinária (França/ Canadá) é baseado no romance homônimo ilustrado de Reif Larsen e mistura o fantástico à nossa realidade.
Este drama familiar mesclado com aventura infantil é narrado por J. S. Spivet ( Kyle Catlett) uma criança de 10 anos, cheio de magia e sentimentalismo. Com boa direção e roteiro interessante, o forte é a fotografia com paisagens e cores incríveis, efeitos especiais em 3D diferenciados dos filmes que estamos acostumados a assistir. Com linguagem própria, personagens estranhos meio surreais, uma temática triste, fala-se de perdas e preconceito. Na segunda parte do filme, quando J. S. parte para Washington, perde-se um pouco o ritmo e o foco do filme.
Conhecemos a família excêntrica de J. S. Spivet, um menino superdotado, apaixonado pela ciência. Sua mãe Dra. Clair (Helena Bonham Carter) é uma bióloga cientista especialista em insetos e seu pai (Callum Keith Rennie) um cowboy durão que adora a vida no campo; e ambos não aceitam e não enxergam a genialidade do seu filho. Ao ganhar um prêmio científico muito importante, J. S. Spivet resolve fazer sozinho uma viagem da região de Montana até Washington, sem o consentimento de seus pais. E o Instituto Científico que deu esse prêmio tão importante,  também não sabe que o ganhador  é uma criança.
A partir desta premissa, ingressamos junto a J.S. no seu mundo imaginário com suas cores vibrantes, sua magia desconcertante, uma verdadeira jornada ao fundo da sua alma infantil, com momentos de humor, de alegria mas também de tristeza. É lindo sentir a fraternidade entre esses dois irmãozinhos, e melancólica a dor da perda e da rejeição para uma criança.
Os atores em geral estão condizentes com a trama, mas o pequeno Kyle Catlett como J.S. Spivet imprime uma naturalidade e frescor infantil incrível, um talento nato. Transmite fortaleza e fragilidade, ternura e tristeza mas esperteza, essa ingenuidade típica das crianças.
Um drama/ aventura infantil em tom melancólico mas não deprimente, uma jornada fantástica de um menino encantador, onde a tristeza, a alegria e a fantasia se complementam de forma leve e mágica.