quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Á PROCURA DO AMOR





Para quem deseja assistir uma comédia agradável, sem maiores pretensões, Á Procura do Amor (EUA) é uma boa opção. Com direção da cineasta Nicole Holofcener, este filme fala de encontros, de aceitação, de não idealizar demais as pessoas, é um filme apaixonante e real, que poderia acontecer com pessoas comuns, isso já nos leva a uma identificação direta com os personagens.
O filme dialoga sobre vida e amores, sobre a solidão depois de casamentos desfeitos, fala de paixão e de tédio na rotina do casamento e de aceitar o outro como ele realmente é. E não deixar se influenciar por opiniões alheias, mas tentar enxergar o outro com seus defeitos e qualidades, e principalmente ter ética, confiança e ser verdadeiro nas relações afetivas, para criar uma base e investir em um novo amor.
Conta a história de Eva ( Julia Louis- Dreyfus), uma massagista divorciada há dez anos e cuja filha Ellen (Tracy Fairaway) está prestes a se mudar para a universidade, criando um clima de preocupação para Eva, inclusive uma sensação de solidão. Numa festa Eva conhece o cinquentão Albert ( James Gandolfini) também divorciado há quatro anos, e logo acontece uma empatia e identificação entre eles, pois Albert é espirituoso e bonachão, apesar de ser não ser o  tipo idealizado por Eva; Albert é um gorducho estabanado e desajeitado.
Nesta mesma ocasião Eva conhece Marianne (Catherine Keener), uma poetisa amargurada que torna-se sua massagista e amiga. Só que Marianne foi casada com Albert e fala horrores do ex-marido, e quando Eva descobre que o ex-marido de sua amiga é seu atual namorado, ela fica dividida e as observações negativas começam a influenciar na sua ótica sobre seu namorado, os defeitos começam a ficar mais visíveis do que as qualidades.
Paralelo a esta história, conhecemos a psicóloga Sarah (Toni Collette), amiga íntima de Eva, cujo casamento está passando por uma crise e que tem a mania de trocar os móveis da casa do lugar, talvez uma analogia a mudanças interiores que gostaria de realizar.
Um filme gostoso de assistir, com momentos engraçados e reais, e o forte da direção é a naturalidade e a simplicidade das questões, criando uma empatia imediata com o público, imaginar que todos nós estamos vulneráveis a situações deste tipo.
O desempenho dos atores protagonistas James Gandolfini e Julia Louis- Dreyfus fortalece a trama, pela naturalidade e timing cômico, vivendo um romance de pessoas maduras, estão realmente impagáveis. Este foi o último papel no cinema deste extraordinário ator James Gandolfini, que protagonizou  Família Soprano (faleceu ano passado).
Como também a atriz Toni Collette tem um ótimo desempenho no papel da psicóloga Sarah, com suas dificuldades com o marido devido a rotina e monotonia do casamento de vários anos. Enfim, todos os atores têm uma conexão formidável e desempenham perfeitamente o seu papel no filme.
A direção consegue pontuar cenas do cotidiano de forma simples e  realista, sem fantasiar, mostrando a convivência das pessoas com suas dificuldades inerentes a personalidade de cada um. A bagagem anterior de experiências, boas ou frustrantes, o significado dessas vivências e como agir quando encontramos alguém que nos agrada. Enfim, tirar das experiências passadas um aprendizado para evitar repetição de erros já ocorridos, principalmente no que se refere a novos parceiros.
Um história de amor maduro que muito se encaixa nos dias atuais, engraçada mas sem apelações, sem pieguices, um humor inteligente, de uma naturalidade impressionante. Uma comédia irônica sem cair no exagero, com ótimos atores, uma sensibilidade que diferencia das comédias atuais; enfim, a vida como ela é, com encontros e desencontros, acertos e erros, mas fica a lição que o mais importante é não desistir de se arriscar e sempre acreditar no Amor.


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